March 2012
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Poesias de Pessoa narradas por Antônio Abujamra. →
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Em mim foi sempre menor a intensidade das sensações que a intensidade da...
– Fernando Pessoa - Livro do Desassossego (93.), 123. (via acorda)
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Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me...
– Álvaro de Campos [6-7-1935]
No entardecer da terra
O sopro do longo Outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.
Soergue as folhas, e pousa
As folhas, e volve, e revolve,
E esvai-se inda outra vez.
Mas a folha não repousa,
E o vento lívido volve
E expira na lividez.
Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E até do que hoje sou
Amanhã direi, quem dera
...
Concentra-te, e serás sereno e forte;
Mas concentra-te fora de ti mesmo.
Não...
– Ricardo Reis
II
O DAS QUINAS
“Os Deuses vendem quando dão. Compra-se a glória com desgraça. Ai dos felizes, porque são Só o que passa! Baste a quem baste o que lhe basta O bastante de lhe bastar! A vida é breve, a alma é vasta: Ter é tardar.
Foi com desgraça e com vileza Que Deus ao Cristo definiu: Assim o opôs à Natureza E Filho o ungiu.”
Fernando Pessoa em “Mensagem” [8-12-1928]
(…)
Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento, Assim falham os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade. Mas, como a essência do pensamento não é ser dita, mas ser pensada, Assim é a essência da realidade o existir, não o ser pensada. Assim tudo o que existe, simplesmente existe. O resto é uma espécie de sono que temos, Uma velhice que nos...
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Espero que gostem!
Eu, eu mesmo… Eu, cheio de todos os cansaços Quantos o mundo pode dar.— Eu… Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças… Que crianças não sei… Eu… Imperfeito? Incógnito? Divino? Não sei… Eu… Tive um passado? Sem dúvida… Tenho um presente? Sem dúvida… Terei um futuro? Sem...
Ah, que extraordinário,
Nos grandes momentos do sossego da tristeza,
Como quando alguém morre, e estamos em casa dele e todos estão quietos
O rodar de um carro na rua, ou o canto de um galo nos quintais…
Que longe da vida!
É outro mundo.
Viramo-nos para a janela, e o sol brilha lá fora
Vasto sossego plácido da natureza sem interrupções! (Álvaro de Campos)
Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.
(Alberto Caeiro)